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Intolerância ao glúten



Porque está a aumentar a intolerância ao glúten ?

Mencionem o problema da intolerância ao glúten, num jantar em casa de amigos, e alguém dirá que esta é uma “doença da moda” que só se desenvolve porque se fala dela.
Na verdade, um estudo de amostras de sangue de aviadores da Armada Americana, datados de á 50 anos atrás, demonstra que a intolerância ao glúten, é quatro vezes mais comum hoje do que era na época. Não significa um problema “psicológico” se você, ou os seus filhos, têm intolerância ao glúten, que com efeito, era raro na época dos vossos avós.

Doença Celíaca

A intolerância ao glúten também é conhecida pelo nome de « doença celíaca ». Quando o seu corpo não consegue digerir o glúten é atingido por um conjunto de proteínas encontradas no trigo, na aveia, cevada, centeio e espelta.
Pouco importa, que consuma estes cereais brancos, altamente refinados, ou completos: em ambos os casos, o glúten, que leva o nome de cola, esta cola não é digerida, e cola os seus alimentos em pacotes no seu intestino, provocando prisão de ventre, e depois diarreias. 
Além dos distúrbios intestinais, resulta numa má absorção dos nutrientes de alguns alimentos, e de carência no seu organismo de, cálcio, ferro, vitamina B12 e ácido fólico (vitamina B9).
O risco de ser afectado, e de morrer, de uma doença auto imune, explodiu. É quase, dez vezes mais, se lhe diagnosticarem uma doença celíaca, com a idade de 20 anos (que aumentou de 3.5% para 34%). 
Por outro lado, uma doença celíaca não tratada, provavelmente dará origem à osteoporose, devido à sua falta de cálcio, à anemia (à falta de ferro), depressão e dermatite (problemas de pele). Em crianças, observamos uma magreza anormal com bochechas e barriga inchadas, problemas de crescimento e por vezes, autismo.

Com pena do seu intestino

E infelizmente isso não é tudo: o principal efeito da doença celíaca é extremamente prejudicial ao intestino. Como sabem, o intestino naturalmente contém muitas dobras no seu interior, que permitem maximizar a área de contacto entre os alimentos digeridos e os vasos sanguíneos. Estas dobras, às quais chamamos “vilosidades intestinais”, permitem aos nutrientes dos alimentos serem digeridos de modo a passarem para o sangue. No entanto, a intolerância ao glúten, a longo prazo destrói as vilosidades. O intestino torna-se liso. E assim, absorve menos nutrientes da alimentação.  
Como resultado, uma desnutrição progressiva com um forte emagrecimento. Fica cansado, os seus membros dormentes, a fertilidade diminui. A inflamação crónica do intestino provoca uma reacção imunitária, que fere as articulações, desenvolvendo a osteoartrite.

Duas novidades : uma boa e uma má

Começo pela má : como mencionado acima, a intolerância ao glúten, se bem que, o grande aumento na população, não é um problema psicológico e muito menos uma “moda”. Vem do facto de que os cereais que comemos, não serem os mesmos dos nossos antepassados.
Até ao século 19, o trigo era quase sempre misturado com outros cereais, assim como com feijões e nozes. O chamado “pão” não era uma mistura branca e suave que secava em algumas horas e com bolor em alguns dias, mas uma amálgama negra, pesada, feita de grãos esmagados e aglomerados, e que podia ser conservado durante semanas, mesmo meses, que se ponha de molho na sopa” para não partir os dentes.
O pão branco, que é consumido massivamente hoje, era raro. Mas isto não é tudo: os próprios cereais, como todas as coisas que nos rodeiam, mudaram muito durante estes anos passados. E os culpados...somos nós!
Somo nós, porque os padeiros se aperceberam que os seus clientes (nós todos), preferimos o pão mais mole e estaladiço, croissants e brioches mais fofos, resumidamente, mais apetitosos. Quanto mais a farinha é rica em glúten, mais a massa do pão sobe. Os padeiros modernos, exigem farinhas moídas mais ricas em glúten, para fazerem pães mais “bonitos”, e os moleiros, por sua vez, fizeram pressão sobre os agricultores, que selecionaram as espécies de cereais mais ricas em glúten, que maximizaram o seu conteúdo de glúten, por hibridização!   
Como resultado, a maior parte dos cereais, cultivados hoje para alimentação humana são “super-glúten”.
O que não percebemos, é que o nosso organismo, não gosta do glúten. Uma pessoa em cem é completamente intolerante ao glúten. E portanto, irá desenvolver uma doença celíaca. E o problema é que 90% das pessoas, mantêm-se ignorantes do problema. Assim que aparecem os sintomas de muitas das doenças citadas acima, (osteoartrite, osteoporose, depressão e dermatite), procuram tratar cada doença separadamente com medicamentos, sem nunca procurarem a sua origem comum oculta, o que é uma pena.
Uma pena, de facto, mas vejamos a boa noticia: 95% das pessoas afectadas pela doença celíaca, podem ser completamente curadas de todos os sintomas, se adoptarem um regíme sem glúten.

O teste eliminação/reintegração

Se suspeitarem de haver em vossa casa uma intolerância ao glúten, podem fazer uma análise ao sangue. O teste consiste em dosear os anticorpos IgA tecidos anti transglutaminase, IgA anti-endomísio e IgA anti-gliadina. É um teste altamente fiável e permite-nos ter uma resposta segura. 
No entanto, antes de se precipitar a correr para o médico, pode simplesmente experimentar eliminar o glúten da sua alimentação durante quinze dias, e voltar a retomar o glúten. Se os sintomas desaparecerem, e depois voltarem a aparecer quando da reintrodução do glúten, então está no bom caminho. Este é o teste eliminação/reintegração.
Mas atenção : para que o diagnóstico possa ser feito pelo seu médico, incluindo a análise ao sangue, deverá ser quando não está a seguir um regímen sem glúten, senão o médico não poderá determinar se é ou não alérgico ao glúten.
Curar a doença celíaca
A boa notícia, como eu disse, é que se pode curar a doença celíaca em 95% dos casos. Para a curar definitivamente, deverá adoptar, definitivamente, uma dieta sem glúten.
Eliminar o glúten da alimentação é complicada… e caro. A tal ponto que as pessoas intolerantes ao glúten, no Canadá podem beneficiar, de um crédito para financiar a sua alimentação. Com efeito, o glúten faz parte da alimentação moderna: nos pães, as massas, os biscoitos, os cereais do pequeno-almoço, assim como em muitos molhos, sopas, pratos preparados, yogurtes de frutas e outras sobremesas onde serve de ligação. Também se encontram em muitos medicamentos e em certos batons. Esconde-se em variados nomes nas listas de ingredientes. Como: malte, amido (de trigo, cevada, centeio, etc.), proteínas vegetais hidrolisada e texturas de proteínas vegetais.
Mas o problema é, que o menor vestígio de glúten, pode fazer reaparecer os sintomas se estiver afectado pela tolerância de glúten. Escolher os seus alimentos, exigir-lhe-á uma cuidadosa vigilância.

Que alimentos escolher:

Tão importante como saber quais os alimentos a não escolher, é necessário saber como se alimentar correctamente, sem glúten. Pode consumir:

- Frutos e legumes.
- Carnes, peixes e aves, não panadas nem marinadas.
- Leguminosas e soja.
- Alguns cereais : milho, arroz e quinoa.
- Algumas farinhas :arroz, milho, batata, grão-de-bico e soja.
- A maior parte de produtos lácteos, mas as pessoas que os toleram mal, serão beneficiadas se os eliminarem da dieta alimentar, durante alguns meses.

No entanto, para assumir a longo prazo e renovar a sua dieta o suficiente para nunca se cansar, sem dúvida terá necessidade de ajuda de um nutricionista, ou pelo menos consultar um site especializado sobre este assunto.

E enfim...

Alguns conselhos, para quem tem intolerância ao glúten :

- Mastigar bem os alimentos antes de engolir, melhora a absorção dos nutrientes.

- Comer yogurtes ou leite fermentado com pro bióticos, para melhorar a qualidade da flora intestinal, e assim, a saúde dos intestinos.

- Antes de ir a um restaurante, saiba qual a possibilidade, de servirem pratos sem glúten (muitos molhos preparados, utilizados em restaurantes contêm amido, portanto glúten.

A vossa saúde!

Texto original:Jean-Marc Dupuis
Tradução e adaptação : Eugénia Gomes

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